sexta-feira, 28 de março de 2008

Protesto real

Ainda falando em pele de animais, publiquei o post abaixo ano passado, no outro blog, e resolvi requentá-lo hoje porque o assunto não se esgota. E enqüanto eu vir gente por aí usando pele de animais mortos sobre as costas e posando de chique e boazinha, sendo na verdade ou uma pessoa muito cruel ou muito deslumbrada e completamente fora da realidade, eu vou continuar falando disso, tanto aqui no blog quanto em qualquer lugar onde eu possa expressar minha indignação. Por amor, NÃO USE PELES!

Outro dia participei de um protesto contra casacos (e chapéus, acessórios, etc.) feitos de pele animal. O movimento foi organizado pela CAAF (Caring Activists Against Fur) que é uma organização que luta especificamente contra a produção, venda e uso de casacos de pele.

Por quê não usar pele animal? Aqui vão só alguns motivos (pra mais informações em português, visite o site da organização brasileira PEA):
  • Os animais passam suas vidas em pequenas gaiolas, ao ar livre. Expostos às variações climáticas e confinados a um espaço reduzido, eles adquirem comportamentos neuróticos como auto-mutilação e canibalismo;
  • O nível de stress elevado fragiliza o sistema imunológico dos animais, levando-os, em cerca de 20% dos casos, à morte;
  • Depois de passarem a vida em condições deploráveis, esses animais são eletrocutados, asfixiados, envenenados, gazeados, afogados ou estrangulados e nem todos morrem imediatamente - alguns chegam a ser esfolados ainda com vida;
  • Em algumas fazendas, as raposas têm a língua cortada e são deixadas a sangrar até à morte. Os criadores recorrem a esses métodos de matança para que as peles fiquem intactas;
  • Em alguns países usam-se armadilhas, embora sempre digam que os animais foram criados em fazendas;
  • Desprovido de alimento, água e qualquer tipo de proteção dos predadores, pelo menos 1 em cada 4 animais rói a própria pata na tentativa desesperada de se libertar da armadilha. Os que conseguem, acabam morrendo logo depois, em conseqüência da perda de sangue, de infecção, de fome ou caçados por predadores;
  • Os animais que não conseguem escapar das armadilhas, aguardam em sofrimento durante vários dias ou até semanas, até que o caçador volte para verificar a sua armadilha. Para não estragar a pele, os caçadores os asfixiam com os pés;
  • Muitas vezes, os animais não resistem à espera prolongada e morrem de fome, de frio, de desidratação ou atacados por predadores;
  • Pelo menos 5 milhões de animais como cães, gatos, pássaros, esquilos e até mesmo animais de espécies em vias de extinção são acidentalmente apanhados, mutilados e mortos nessas armadilhas.



Fazia um frio do capeta aqui em Nova York naquela tarde de domingo. Eu me encapotei e encarei a friaca, mesmo porque adoro o inverno e me sinto mais confortável no frio do que no calor. O e-mail-convite da CAAF dizia: 1 da tarde em frente à loja de departamentos Saks 5th Avenue, na Quinta Avenida com a Rua 49, em mid-town.

Às 10 pra 1 eu já estava lá com meu casacão de lã sintética e meu broche anti-fur. O grupo foi pequeno desta vez, mais ou menos 40 pessoas apareceram, mas todo mundo estava super bem disposto e feliz por poder fazer alguma coisa contra esse hábito antigo, cafona, violento e desnecessário. Os turistas tiravam fotos da gente e sorriam solidários enquanto, reunidos bem na entrada da loja, entoávamos palavras fortes e frases de efeito, do tipo: "compassion is the fashion, don't buy fur!" (compaixão é o que está na moda, não compre pele). Alguns (poucos) transeuntes vestindo casacos de pele, passavam de fininho, morrendo de vergonha.

Quem já participou de um protesto sabe como é bom, como faz bem e lava a alma. Protestar (pacificamente, claro) dá um sentimento de estar sendo útil aliado a uma injeção de energia que dura dias, até semanas. Estávamos todos ali com um único objetivo, fazer barulho, comover, informar, e principalmente pressionar a loja Saks 5th Ave pra que pare de comercializar pele animal (como o fez uma outra grande loja de departamentos aqui de Nova York, a J.Crew, após um protesto da CAAF que reuniu mais de 200 pessoas).

Conheci gente muito boa ali, gente completamente diferente de mim, outras nacionalidades, idades, cultura, mas com algo muito importante em comum, o amor pelos animais, o inconformismo e a vontade de fazer alguma coisa. Uma senhora inglesa, logo no início do protesto (quando pegávamos nossos cartazes de dentro de uma caixa que os organizadores trouxeram) virou-se pra mim e disse: "se eu conseguir fazer pelo menos uma pessoa parar de comprar casacos de pele ou aqueles casacos com pele em volta do capuz, isso aqui hoje já valeu a pena". Essa é a idéia.

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Queria relembrar que hoje, sexta-feira, recomeça legalmente a caça às focas bebês, no Canadá. O post de dois dias atrás alerta pra esse horror que é a matança sangrenta desses seres indefesos e isso precisa acabar. Por favor, clique aqui pra enviar um email para o ministro canadense David Emerson, pedindo encarecidamente que ele ouça as centenas de pessoas ao redor do planeta que estão participando desse movimento e volte atrás nessa decisão absurda de liberar a morte por espancamento e esfolamento desses animais inofensivos.

ABAIXO O MERCADO DE PELES.


*All photos: Copyright © 2006 Andréa N. all rights reserved

3 comentários:

Flávia disse...

Dea, mandada a carta e repassada.
Beijos

Cleber disse...

Andréa, o Gary Francione conta uma história ótima no post mais recente dele, sobre o encontro e a conversa que teve num aeroporto com uma mulher que tinha um casaco de pele. Onde a história (e o casaco) foi parar é o tipo de coisa que a gente precisa ouvir de vez em quando, pra renovar a esperança.
Dá uma conferida aqui.

Andréa N. disse...

Fla, obrigada, querida!

Cleber, que excelente dica! Adorei aquele texto (e tenho o livro do Francione aqui em casa). Dá mesmo uma renovada na esperança. Fiquei emocionada. Vou sempre aproveitar essas oportunidades de conversa sobre o veganismo. EU já faço isso, mas sempre com muito cuidado. Odeio pentelhar gente que não está interessada e/ou soar panfletária demais. Mas sempre que alguém pergunta, abre-se essa porta de comunicação, e a gente tem que usá-la com muita sabedoria. Valeu!

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